Eu, aqui comigo.

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por Úrsula Freitas

Postado em 14 de setembro de 2018

Meu novo horário de trabalho faz o dia parecer ter mais de 24 horas. Acordo mais cedo, volto pra casa com o dia ainda claro, consigo meditar, prestar atenção no meu momento do floral (menos Dorflex, yes!), me alimentar melhor e mais vezes ao dia, assistir ao pôr do sol, às vezes, acompanhar uma série.. 
O cansaço? É o mesmo ou maior! Ainda tento descobrir o porquê ao mesmo tempo em que acredito ser o resultado de: inquietude + autocobrança + perfeccionismo + meu corpo dizendo que já basta de lidar com o operacional nesta área ingrata e gratificante ao mesmo tempo.

Eu sempre saio do trabalho pensando em chegar em casa e não pensar mais em nada. Apenas pausar.
Mas entre colocar as pernas pra cima e lavar o prato que deixei na pia de manhã, eu quase sempre escolho a segunda opção. Talvez por isso, aos 25, me vejo tendo que investir numa meia de compressão. Paciência. Outra coisa, o mingau feito por mainha que eu gostaria de receber já no prato, polvilhado com canela e comer no sofá com as pernas estiradas no banco, quentinha, ouvindo a abertura da novela, só vai rolar se eu mesma fizer (o que implica mais um tempo em pé).
Mainha está a km de distância, nunca vi puba em sp (ainda) o sofá tá gelado do frio lá fora e daqui que o mingau fique pronto a novela já terminou. Parecia tão mais simples, né? Nunca fui acomodada. Comecei a trabalhar com 17 e sempre gostei de pegar pesado. Adrenalina, desafio, correria.. isso me instiga. Mas o trabalho em casa era básico. O conforto prevalecia. Hoje a história é outra. O trabalho é dobrado e me cobro 10x mais. Escolhas. Escolhi sair do ninho, alçar vôos cheios de obstáculos (o que também implica em ouvir os pássaros mais de perto se a gente analisar bem) e me orgulho disto. Arrumar a casa também me faz perceber o quanto sou forte e o quanto sigo avançando. Envolvo coisa material? Também! Porque seria hipócrita em não o fazer. Como não ficar feliz comprando o meu primeiro conjunto de panelas pago com o fruto do meu trabalho? Pensando em como vou decorar o quarto e quais plantas vou ter.. ganhando plantas de amigos que se hospedaram aqui, máquina de lavar e geladeira do meu porto seguro, um liquidificador-que faz conjunto com minha batedeira-de presente de queridos amigos de Aracaju e recebendo vaquinha de amigos para quitar o que falta? Isso tudo me emociona, por mais bobo que pareça. Porque sou manteiga derretida e também porque sou grata. E me sinto mais perto do Divino assim.

É pouco tempo ainda. Mas muita intensidade já.

Hoje, eu cheguei em casa decidida a fazer o que a capa da Vida Simples deste mês me disse: “Desacelere”.

Coloquei uma musiquinha calma, fiz pipoca caramelada, acendi incenso, me estirei na cama e da primeira folha até a última fui tomada por um mix gigante de sensações: Dor, saudade, alegria, fé, inspiração e gratitude! Posso chamar essa revista de amiga com toda a certeza. Ela conversa comigo sem blá blá blá e sempre parece que fala o que eu preciso ouvir (ler) na hora em que eu preciso ouvir (ler). A carta ao leitor da Ana Holanda já me emocionou. Dai vem as artes de um cara que pintou aqui na Fradique que sempre admiro, mais arte entre bordados e natureza, mais arte entre fotos e memórias da criança que fomos, tatuagens e emoções, mais memórias, sustentabilidade, tecnologia, flores, plantas, um curso que ensina a ser feliz, um encontro através das palavras, papel e uma empresa que inova ao aderir a gestão de que todos os funcionários, independentemente de suas funções, recebem o mesmo salário e o mesmo percentual sobre as vendas, o próprio desacelere e suas ilustrações em azul (nos lembrando de olhar mais pro céu, nas entrelinhas), o cinza em um caminho para o mar através da fotografia, uma SUPER lição sobre o fracasso, a relação entre a forma que usamos o dinheiro e o nosso emocional, uma história lindíssima e muito sensível sobre como as estações do ano nos ensinam (essa me colocou em prantos), a espiritualidade, a transição, as despedidas, a inteligência, os sonhos que podem não se realizar (e tudo bem), – aqui incluo aqueles que, por vezes, não eram sonhos e se realizaram, daí descobrimos ser (e tudo bem) – o fôlego e a vida longa. Tudo entrelaçado. Parece um livro onde os capítulos se conversam. Há uma continuidade e tudo junto faz sentido. 
Eu aprendi sobre , wabi sabi, uma estética zen que celebra a beleza da imperfeição e da impermanência. Olha que incrível! 
Reafirmei que escolher sair do ninho é difícil, mas fortalece. E confirmei que cheiros e sons que só eu percebo e sinto é quando Deus tá pertinho de mim.

A Vida é Simples e ao mesmo tempo muito complexa, ops, completa! Uma terapia mensal que custa quinze reais e traz ensinamentos para sempre. Pode parecer uma propaganda fraca, mas só quero registrar aqui o quanto ler conteúdos afetivos me enchem o peito, me fazem vir até aqui querer escrever também e me colocam numa varanda linda, aconchegante, florida, perfumada. No campo ou na praia. Que eu posso descansar. Que o mingau de mainha tá pronto, cheiroso e gostoso aqui na minha mesa ou sofá imaginários. Que meu peito pulsa. Que tem ar no pulmão. Que tem vida aqui dentro. Que eu estou em casa. E minha casa sou eu, aqui comigo.


com amor

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