A história dos Domingos

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por Úrsula Freitas

Postado em 13 de agosto de 2018

Recentemente me dei conta de que a maior parte das minhas escritas acontece num Domingo. Eles nem sempre foram de folga, de ócio criativo, de lazer ou de tranquilidade. Muito pelo contrário.
Por outro lado, Domingos têm sempre um ar diferente. Calmo. Nostálgico. Saudoso.
Sinto assim desde quando ele deixou de ter noites tristes que anunciavam o encerramento do final de semana, que implicava em aula na escola no dia seguinte. Mais triste ainda quando o primeiro horário da Segunda era matemática. A musiquinha do Fantástico acabando me dava nervoso, rs. Engraçado. Escolhia sofrer com tão pouco. Só agora sei.

Hoje é diferente. Domingos são lindos. Inspiram. São leves, mesmo com muito trabalho. E marcam recomeços. Eles chegam com mais ar. Parece que dá pra encher mais os pulmões aos Domingos.  Como se fosse pra fazer uma reserva para a nova semana.
De manhã, o barulho das construções dá lugar ao canto dos pássaros e ao som das folhas das árvores balançando. O café parece que fica um pouco mais doce. A casa mais quentinha. Têm menos carros e ônibus nas ruas, as estações de metrô estão menos turbulentas, tem roupas estendidas nas varandas, chamando o Sol pra secar..

Um Domingo desses, eu fui andando para o trabalho como quem estava indo a um passeio no parque. Segui com esse pensamento. Olhando para o céu, para as casas no caminho, para as pessoas que passeavam com seus cachorros e também para quem voltava de uma noitada do Sábado ainda com a latinha de cerveja na mão. Ouvindo o silêncio que só esse dia tem. Imaginando histórias. Sonhando.  Eu pude até ouvir o som que as minhas botas faziam ao tocar o chão e sorri sozinha.
Como isso faz diferença quando se vive uma sobrecarga. Quando se mora numa cidade que exige prontidão antes mesmo de pensamento. Até porque, deixava de ser Domingo quando eu vestia meu uniforme e entrava numa correria insana que durava até a noite. Era preciso uma pizza e uma cerveja no fim pra recordar, ou um vinho, pipoca e filme, uma gordice qualquer, ou sentar para escrever e organizar a agenda da semana.  Qualquer coisa que voltasse a se encaixar com Domingo. Com uma energia única e singular que só esse dia tem.
A maioria das vezes não rolava nada disso. E eu só sonhava com um Domingo sem pressa.
A mesma cidade que me suga também me permite uma infinidade de sonhos. De lazer, entretenimento e sabores. Então, no fim, fica tudo bem. Sempre fica.

É sempre bom se ouvir. Ouvir o Domingo e os recados que ele passa. Tirar o peso das costas.

Por mais Domingos leves e encantadores. Para que a semana inteira seja só o reflexo.

um cheiro e muita luz,


ursa.

com amor

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