2 anos, sp!

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por Úrsula Freitas

Postado em 16 de julho de 2019

Chove em São Paulo. São 01:04 da madruga, sinto sono e cansaço, mas a minha vontade de cumprir rituais simbólicos que me importam fala mais alto, como sempre. Mil pensamentos, música, luz amarela e uma vela acesa. Pra honrar esse dia, pra honrar essa trajetória, para agradecer por tanto.

Dois anos morando numa cidade que uma dia abri a boca pra falar que jamais moraria. Dois anos vivendo uma turbulência de emoções, muitos aprendizados e conhecimentos, rasteiras, saudades que alimentam e uma coleção de memórias pra vida.
Dois anos numa cidade de ar seco, que me sufoca, mas que me trouxe uma liberdade capaz de preencher todo o peito. Que fez da Liberdade o meu primeiro lar.

Num processo meio que “do nada” tudo foi se encaixando. Às vezes é como se a ficha não tivesse caído ainda. Como se eu tivesse vindo passar alguns dias e depois de um cochilo ainda estou aqui. Outras é como se tivesse uma casa aqui desde sempre. E passei todo o tempo antes de vir, me preparando pra viver todo esse tanto.

São Paulo é tão imensa que até se perdendo a gente encontra um caminho. Que até no escuro tem luz, Que até na rua mais deserta tem beleza. Tem um ipê rosa, tem um carro quebrado cheio de plantas bonitas dentro, tem verdades nas paredes, no asfalto, no lixo até. Que até o caos tem uma dose de leveza e beleza. Que as tempestades são um filme de longa metragem pra assistir da janela. Que dá pra ouvir os pássaros cantando de manhã mesmo num dia cinzento. E que pessoas monocromáticas cheias de camadas também podem sorrir num dia frio.

São Paulo é uma das principais responsáveis por me colocar cara a cara no espelho. Por me fazer futucar feridas que eu achava que estavam curadas, por me fazer exercitar a autoconfiança, o autocuidado, a gratidão. Por me estimular a dar match e marcar dates comigo mesma o tempo todo.
Nem nas minhas imaginações mais sonhadoras eu cogitava me conectar tanto comigo, com o Universo e com as pessoas a minha volta numa cidade tão inquieta.
Obrigada por me apresentar a uma das melhores versões que conheço de mim, São Paulo.

Eu agradeço pela minha escolha. Pela minha coragem. Pela minha força. Por todo mundo que me incentivou e apoiou.
E pelos que não me apoiaram e sentiram inveja também. Por aqueles que acharam que vim sendo bancada pela família e que podia escolher onde trabalhar, morar, como me locomover e que pagava alguém pra lavar minhas roupas e cuidar da minha casa. Que falo inglês porque sou rica. Que não preciso ralar tanto.
Por quem ama o sotaque que eu carrego. E por quem o ironiza. Isso só realça a minha garra e determinação. Obrigada.
Pelas empresas que abriram as portas para aceitar o meu trabalho e o reconheceram de uma forma tão mágica e especial.
Pelas visitas aracajuanas que me trazem a vibe que nem sempre que quero posso ir buscar.
Pela educação incrível que meus pais me deram (e o quão incríveis eles são). Pelo irmão que abriu o coração e a alma pra me receber, se esforçando em deixar tudo mais confortável e seguro pra minha trajetória do que foi pra ele quando veio, tapando os buracos em que eu poderia cair, segurando minha mão. Pela irmã que cresceu me ensinando a se jogar no mundo e nas possibilidades e a acreditar nos sinais. Que fez a mudança comigo para que as coisas se tornassem menos pesadas. Pela amiga nordestina que me recebeu em sua casa paulista no bairro Liberdade. Com cuscuz, mingau, aconchego e afeto. Pela família que formei aqui. Por todas as pessoas que o Universo me permitiu conhecer até agora e por aquelas que ainda virão. Pelas ruas, pelos contrastes, pelas reflexões no metrô e ônibus. Pelas insônias e insights. Pela minha intuição.

“E eu pensei que o que eu construí tempo atrás só foi existir depois que eu fui buscar.”
Eu quis mudar – Tim Bernardes
(e como mudei) <3

https://www.youtube.com/watch?v=WpmSrNE2_Nc

Toda luz,
Ursa.

com amor

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